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Boas estratégias para a retomada dos negócios

Boas estratégias para a retomada dos negócios

Na última terça, a Regional Sorocaba da ABRH-SP promoveu o webinar “Estratégias para a retomada dos negócios. Protocolos de segurança e gestão da produtividade nas organizações”, que teve como moderador Douglas Gaino, vice-diretor da Regional.

Médico sanitarista, coordenador médico dos Projetos Covid-19 do Hospital Israelita Albert Einstein, Felipe Almeida abriu o webinar, fazendo uma contextualização da epidemia. Segundo ele, continua havendo um aumento importante do número de casos no Brasil inteiro.

Como explicou Felipe, boa parte das infecções ocorre a partir de indivíduos assintomáticos ou pré-sintomáticos. Além disso, a quantidade de vírus necessários para se infectar é muito baixa: 1.000 partículas virais. Para se ter uma ideia, uma pessoa infectada quando tosse elimina cerca de 20 milhões de partículas virais, a uma distância de 90 quilômetros por horas. Por exemplo, se ela tossir em uma reunião, sem colocar a mão ou o cotovelo à frente da boca, há a possibilidade de contaminar quase a sala inteira.

Na própria fala e respiração, o indivíduo contaminado elimina constantemente o vírus. Alguém que está ao seu lado, sem falar, só respirando, solta por minuto 33 partículas virais. Quando começa a falar, são de 200 a 300 partículas virais por minuto. “Por isso, a gente fala bastante em todos os cuidados, como o uso de EPIs e máscara e distanciamento social.”

Para o médico sanitarista, devem ser levados em consideração três pontos principais no retorno ao trabalho: ambiente, processo e comportamento seguros. “São as empresas que têm de prover o ambiente seguro para seus funcionários, com móveis nos lugares adequados, garantindo o distanciamento nas posições de trabalho. Uma parte dos processos é de responsabilidade da empresa (higienização, uso de produtos químicos adequados, etc.), mas eles dependem muito do comportamento seguro, com o uso de EPIs e a manutenção do distanciamento por parte de cada um dos funcionários.”

O que as empresas estão fazendo?

CEO da HealthBit, empresa especializada em tecnologias de alta performance em saúde, Murilo Wadt compartilhou durante o webinar as frentes estruturantes que são importantes dentro das empresas nesse momento. A primeira é o envolvimento do Jurídico no processo de retorno, pois há decretos estaduais e, em alguns casos, até municipais que têm reflexo na parte de exames e na volta aos escritórios. A integração RH, Saúde e Jurídico é, portanto, relevante inclusive para a operação.

A segunda ação estruturante é o envolvimento da gestão direta, que tem papel fundamental em todo o processo: triagem, adoção dos protocolos de detecção do novo coronavírus, afastamento do funcionário infectado e, posteriormente, o retorno dele ao trabalho.

A terceira ação estruturante é a escolha de bons laboratórios como prestadores de serviços. “Há uma infinidade de testes rápidos e uma discussão acalorada sobre a eficácia de cada um deles. Outra questão é a logística dos testes em lugares mais distantes, que tem sido muito problemática. Às vezes, o teste demora mais de 72 horas em razão da logística. Portanto, é importante definir com os prestadores um escopo Brasil para ter um fluxo que deixe sua operação realmente constante.”

Mais uma ação relevante, para Murilo, é criar uma célula de trabalho. Um erro comum é ter uma divisão espalhada entre as unidades. “Quando você tem um responsável funciona muito melhor. Essa célula específica de trabalho faz o contato com o colaborador, o processo com o laboratório, verifica o resultado e depois ou executa a tratativa de volta, ou faz o retorno para o ocupacional. Essa célula também é responsável pelo acompanhamento de saúde do trabalhador. É uma forma de gestão muito mais adequada e eficaz, que acaba saindo muito mais barata para a empresa”, concluiu Murilo.

Case da linha de frente

Já Carolina Mello, diretora da Regional Vale do Paraíba da ABRH-SP, falou sobre os desafios de ser CEO do Grupo Milclean, empresa da área de higienização e limpeza. “Estamos vivendo um momento muito especial e digno para a área. Pela primeira vez, a limpeza foi valorizada e vista como algo realmente importante. Nós utilizamos isso para motivar nossos profissionais da ponta, os auxiliares de limpeza, para que eles pudessem ter a coragem e se valorizassem também. Não existia um discurso melhor do que: vocês são nossos heróis, principalmente, os da higiene hospitalar, que foram vistos como grandes heróis ao lado dos enfermeiros”, contou Carolina.

Ela falou de algumas ações tomadas no período. Logo no começo da pandemia, ela e um pneumologista fizeram vários vídeos informativos, com linguagem fácil, para todos os funcionários, principalmente os da linha de frente. “Meu time não tem muito acesso à informação e à tecnologia, por isso fizemos com que, através do nosso supervisor, chegassem lá na ponta esses vídeos informativos, além de outros mais motivacionais.”

Segundo ela, a empresa viveu diversas situações de emergência, como a falta de EPIs e álcool em gel, que exigiram que os gestores e a equipe apagassem incêndios diários e encontrassem soluções, como o rápido desenvolvimento de novos fornecedores e a criação, em apenas dez dias, de uma marca própria de álcool. “Tivemos de tomar decisões rápidas. A gente esqueceu papéis. Todo mundo fazia tudo, porque era muita emergência atrás da outra.”

Com o fechamento de shoppings e escolas, e a consequente perda de clientes, a Milclean teve de fazer cortes de pessoal e foi aí que Carolina diz ter percebido de fato o valor das soft skills. “Na hora de tomar a decisão entre duas pessoas que tecnicamente sabem a mesma coisa, acabamos optando pela mais resiliente, que resolve os problemas, consegue contornar as coisas e tem criatividade para sair da crise. Essa foi uma lição importante para mim como RH.”

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRH-SP –  03 de Agosto de 2020

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