(11) 2942-0358
contato@veritasexacta.com.br

Programas organizados de prevenção fazem a diferença nas organizações

Programas organizados de prevenção fazem a diferença nas organizações

Realizado no último dia 1º, o webinar “A importância das ações de prevenção nas organizações” gerou reflexões importantes sobre um dos temas mais desafiadores das empresas na atualidade: a gestão de saúde, que se tornou ainda mais complexa em tempos de pandemia. Para falar sobre o assunto, a ABRH-SP convidou dois especialistas: Thiago Chulam, head do Núcleo de Prevenção e Diagnóstico Precoce em Câncer do A.C.Camargo Cancer Center, e Rodrigo Filus, supervisor de Benefícios de Saúde e Ergonomia Corporativa na Volkswagen do Brasil. A diretora de Comunicação da ABRH-SP, Claudia Meirelles, moderou o bate-papo. Confira, a seguir, alguns dos principais tópicos abordados:

Efetividade dos programas de prevenção

“A grande questão é: vale a pena fazer prevenção de forma aleatória? Informação é válida em qualquer esfera, mas, do ponto de vista técnico, para um programa de prevenção ter sentido, ele precisa ser organizado. Não pode ser algo de oportunidade. O programa organizado de uma empresa propicia o controle daquela população: quantas mulheres, quantos homens, qual a faixa etária… Se quiser ser mais minucioso, quem fuma ou não, quem está acima do peso e quem não está… Todas essas informações podem eventualmente ser gerenciadas e trabalhadas para que se possa fazer um filme daquela população ao longo do tempo. É claro que existe o turnover, mas a massa crítica se mantém. Se for implementado algo organizado para essa massa, podemos fazer muita diferença, porque vai ser realizado um diagnóstico no momento oportuno. Todos os dados e trabalhos são muito claros em dizer que, quando se diagnostica as doenças em uma fase inicial, elas vão custar menos do ponto de vista financeiro, pois o tratamento é menos complexo. Além disso, quanto mais recursos são economizados, mais pessoas os programas conseguem abranger.” – dr. Chulam

Dificuldades do engajamento

“É difícil conscientizar a pessoa que não está doente de que aquilo pode acontecer com ela, pois ela carrega um risco intrínseco de envelhecer. Tais riscos existem independentemente de ter hábitos saudáveis ou não. Claro que os hábitos saudáveis contribuem para que as chances sejam menores, mas isso não faz com que se tenha chance zero. Então, motivá-las e engajá-las é muito difícil. A gente viveu o desafio de engajamento nos dois últimos anos na nossa população do A.C.Camargo. É claro que existe na nossa estrutura uma ligação rápida entre prevenção e assistência. Um elo muito bem fechado e coeso entre os protocolos feitos na prevenção, que são usados no mundo inteiro, e os protocolos institucionais da assistência. Esses pacientes são direcionados num fluxo muito linear, no qual tudo acontece de forma muito rápida. Mas, mesmo assim, o principal problema é fazer com que as pessoas entendam a importância disso. Nossa população lida com pacientes com câncer. Geralmente, são pessoas que sabem o que a doença é capaz de fazer. Então, se esperava que nessa população houvesse um engajamento maior. Imagino que fora de um ambiente como o nosso seja mais difícil ainda. A gente até tentou atrelar esse rastreamento aos exames de medicina do trabalho, mas não funcionou tão bem porque não podemos obrigar a pessoa a ter de fazer esse tipo de programa.” – dr. Chulam

O programa da Volkswagen

“Hoje a gente conta com aproximadamente 15 mil empregados e 52 mil vidas dentro do nosso plano de saúde (empregados e dependentes). Na nossa Gestão de Saúde Populacional, temos uma bandeira que a gente chama de Mais Saúde Volkswagen com várias áreas de atuação. Entre elas, o Programa Viva Bem Volkswagen tem alguns pilares importantes: Ser Positivo, programa de saúde mental que trouxe à tona nessa pandemia uma discussão de estar mais próximo dos empregados; Ser Ativo, de condicionamento físico; e Estar Junto, nosso processo de acompanhamento social. Há também o Pratique Saúde, que são alguns exames de check-up disponibilizados para todos os empregados. Além disso, temos a parte de segurança e saúde ocupacional, que é um processo de legislação, mas que está totalmente integrado, e ainda nossa #suasaudecontamuito. A gente não podia esquecer de todo o contexto de ergonomia. Somos uma fábrica de carro, com um conceito de prevenção para melhorar nossos postos de trabalho com processos de análise digital, buscando sempre trazer o conceito de equilíbrio de saúde e produtividade dentro dos postos de trabalho.” – Filus

 

Novo conceito

“Desde 2016 queríamos modernizar o conceito de plano de saúde exatamente para saber onde atacar os problemas de prevenção e fazer gestão de saúde populacional. Pegamos toda a nossa base de sinistros e implantamos uma transformação digital com melhores análises preditivas, melhor gestão financeira dos nossos recursos, fazendo prevenção onde era preciso. Essa transformação foi muito importante para que tivéssemos, através de um data analytics, vários KPIs, como níveis de internação, grupos de internação (ortopedia, coluna, etc.) e assim distribuir melhor o recurso e a prevenção. E obviamente saímos daquele modelo básico em que as empresas contratam uma consultoria, que contrata uma operadora, que contrata uma rede médica. Esse é um modelo que nos exime da responsabilidade de fazer o processo de prevenção. A gente avançou para um modelo no qual temos a responsabilidade de juntar todos os stakeholders. Somos parceiros do A.C.Camargo no que diz respeito à referência em oncologia, temos parcerias com outros hospitais e laboratórios, e obviamente uma parceria muito grande com operadoras de saúde. Colocamos todo mundo para discutir onde alocar os nossos recursos buscando a prevenção de acordo com o que observamos dentro das nossas carteiras, com foco na prevenção primária, secundária e até terciária. Isso faz com que ampliemos uma estratégia não só para dentro da companhia, onde a gente envolve as áreas específicas de finanças, relações trabalhistas, o próprio sindicato, com linhas de ações que buscam melhorar a experiência do beneficiário, equilibrando toda essa questão de custo-benefício, tão importante para a gente dentro da organização.” – Filus

 

Prevenção em tempos de pandemia

“A Covid-19 mudou um pouquinho o ritmo e o engajamento das pessoas, principalmente no que diz respeito à prevenção porque temos uma patologia nova, que a gente não conhece o impacto real, além de muita especulação e poucos dados científicos. O medo prevaleceu no primeiro momento. Mesmo os pacientes com câncer ficaram com receio de procurar o hospital e é esperado que em algum momento essas pessoas voltem para o sistema. Infelizmente, tivemos um represamento – a gente fala pelos números do A.C.Cmargo que chegou a ter uma queda de movimento de quase 70% no pico da pandemia. Agora, as coisas estão sendo retomadas, mas as pessoas ainda estão com receio porque há o medo da segunda onda, se saem ou não saem as vacinas, enfim uma série de desafios. O que a gente faz é levar a informação para as pessoas e as empresas de forma geral.” – dr. Chulam

Como implementar um programa de prevenção

“O pilar principal é a informação. Levar a informação para esse público, falar da importância das medidas de prevenção. Entretanto, a medida mais básica para começar seria conhecer essa população, o perfil de gênero, de faixa etária. Isso é um dado relativamente fácil para as organizações. A partir daí tentar desenhar algum fluxo. Mas fazer com que haja engajamento é o mais complexo. A prevenção funciona muito bem quando a gente tem o sistema organizado. A prevenção oportunística eventualmente vai funcionar em nível individual, mas não em nível populacional. Entretanto, quando não se tem nada, o rastreamento oportunístico já é um passo, mas o ideal é que a gente chegue na gestão organizada.” – dr. Chulam

“Se a empresa não tem nada, você precisa conhecer a sua população, mas algumas pessoas pensam: ‘Puxa, já gasto tanto com plano de saúde, vou ter de gastar mais investindo nisso?’ A prevenção é o fator principal que vai fazer você economizar depois na internação e assim por diante. O primeiro passo é conhecer a população, entender onde vai ter de alocar os recursos e ter esse mindset de que a prevenção é fundamental. Programas preventivos custam, mas são fundamentais.” – Filus

ABRH-SP

Fiscal Ti