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Diversidade é fundamental na construção de uma cultura de inovação

Diversidade é fundamental na construção de uma cultura de inovação

Para lidar com as adversidades geradas pela crise que estamos vivendo, e que tem o ser humano no centro, a diversidade é o melhor recurso. Só ela pode promover soluções inovadoras e inéditas. Para isso, porém, os ambientes das organizações precisam acolher e aproveitar essa diversidade, criar a segurança psicológica para que todas as pessoas possam se manifestar sem medo e ter as condições para que cresçam e se desenvolvam igualmente nas suas carreiras.

A fim de discutir o tema da diversidade com foco na mulher e na sua representatividade, o LIFE, iniciativa promovida pela ABRH-SP com o apoio da ONU Mulheres e a BMI – Blue Management Institute, realizou, no último dia 14, o talk online, e gratuito, “Transformações nos negócios pós-pandemia: A importância da diversidade na construção de uma cultura de inovação”.

A abertura oficial e o encerramento ficaram a cargo de Lia Azevedo, diretora da ABRH-SP. Já o tema foi explorado pelos convidados Solange Sobral, vice-presidente Partner de Operações da CI&T, empresa parceira na transformação digital ponta a ponta de grandes marcas globais, com presença em oito países; e Fabio Adegas Faccio, diretor-presidente da Lojas Renner, que compreende as marcas Renner, Camicado, Youcom, Ashua e a instituição financeira Realize. Maria José Tonelli, professora titular na Escola de Administração de Empresas da FGV-SP, foi a moderadora. Confira, a seguir, os principais momentos do talk:

Trajetórias

“Comecei na CI&T como desenvolvedora de software 25 anos atrás. Fiz toda a jornada de crescimento dentro dessa mesma empresa onde hoje sou vice-presidente Partner de Operações. Como mulher e negra, consegui chegar a uma posição de liderança em uma empresa de tecnologia. Alguns fatores-chave dessa jornada foram que sempre busquei e contei com o apoio de lideranças, inclusive masculinas, e também saí muito da minha zona de conforto. Tanto para a mulher como para o homem chegar a uma posição de alta liderança, é preciso, sim, sair da zona de conforto e se jogar. A mulher tem um desafio maior nesse contexto. Os principais momentos de crescimento que tive na minha carreira estão completamente relacionados a esses desafios grandes que topei assumir ou puxei para assumir. Minha carreira foi construída em um ambiente de consultoria em tecnologia no qual tive de provar minha competência não só dentro da empresa, mas para cada cliente novo. Tive que mostrar que como mulher e como negra também tinha a adicionar naquele problema que estávamos resolvendo juntos.” – Solange

“Eu me inspirei muito nas mulheres desde a minha infância, tive exemplos muito positivos na minha família. Na nossa empresa, também tenho excelentes referências, como a nossa diretora de Recursos Humanos, Clarice Costa, que tem uma história maravilhosa e está com a gente há 27 anos. Entrei como trainee, aprendi muito com a Clarice e a equipe dela majoritariamente composta de mulheres. Essa diversidade de ter homens e mulheres trabalhando juntos, construindo com igualdade, traz a fortaleza. Ter mulheres trabalhando em condições de igualdade com os homens, e com todas as características positivas que elas têm, origina empresas melhores, mais humanas e, consequentemente, com resultados melhores também.” – Fabio

 

Mulheres e inovação

“Em primeiro lugar, é preciso desmistificar a inovação. Às vezes, a gente pensa em inovação como algo muito mirabolante, mas, para mim, é a nossa capacidade de solucionar problemas de forma prática e criativa. Se olharmos para a sociedade brasileira, a pergunta que vem é: se nós mulheres somos mais de 50% da população, como estamos resolvendo problemas de forma efetiva sem ter mulheres nas empresas? Como estamos pensando em soluções para as mulheres se elas não estão na mesa desenhando os produtos dentro das empresas? A mulher precisa estar na cadeira de tomada de decisão, na cadeira de design dos produtos, na nascente das ideias, no espaço de contribuição em conjunto com as lideranças. Um segundo ponto importante: a gente tem várias pesquisas que falam que diversidade e inclusão trazem mais resultados. Quando você abre espaço para essa contribuição genuína de toda a diversidade, essa soma de opiniões divergentes e convergentes faz a gente ser mais criativo. O terceiro ponto é, quando se fala de atratividade de colaboradores, cada vez mais números comprovam que as pessoas se conectam melhor, trabalham mais felizes, são quem elas são, mais criativas e inteligentes, em empresas que trabalham com diversidade e inclusão de forma séria e também com responsabilidade social de forma séria. Então, tornar a sua empresa mais atrativa para trair esse profissional também é um fator importante.” – Solange

Barreiras que permanecem

“A primeira barreira que a mulher enfrenta é trabalhar em um ambiente masculino com uma quantidade reduzida de mulheres. É quase opressor liderar uma mesa só de homens. Essa falta de representatividade é simplesmente opressora. Um segundo grupo de barreiras são as microagressões em relação a gênero. Fui entender isso há não muito tempo na minha carreira. Passei um bom tempo lutando para encontrar meu espaço e provar a minha competência sem entender o machismo estrutural e todo o sistema que foi construído para a mulher não estar lá. E, quando entendi sobre as microagressões, vi que tinha passado por tudo isso sem compreender que não era só comigo, que é uma questão estrutural que a maioria das mulheres vive. São várias microagressões: ser interrompida na fala, dar uma ideia e ninguém entender a ideia até que um homem fala a mesma coisa e alguém diz que era a solução buscada… É importante compreender que a mulher também foi formada dentro desse modelo de machismo estrutural. Como mulher, além de lidar com o ambiente de fora, também temos de lidar com a síndrome da impostora, com as nossas culpas. Por conta do viés inconsciente, ela lida com isso e recebe essa carga emocional. Agora, quando olhamos esse recorte de mães no ambiente profissional, a responsabilidade é ainda maior. Isso traz mais barreiras na carreira da mulher. Quando a mulher é mãe, ela tem um crescimento de carreira mais alongado e uma diferença salarial ainda maior não só em relação aos homens, mas, principalmente, em relação às mulheres que não são mães. Os números mostram isso.” – Solange

 

Políticas e práticas

“Por mais que o nosso segmento de moda seja convidativo para as mulheres, sozinho não acontece. Tem de ter um programa, patrocínio, uma vontade muito forte de mudar, porque as barreiras são inúmeras. Tecnologia, indústrias e construção civil são ambientes mais difíceis, mas, mesmo no nosso caso, o número de 65% de mulheres na empresa não variou muito do total desde que entrei na Renner. Mas, algo que me deixa feliz, é que em cargos de lideranças, se há 20 anos as mulheres eram 20%, agora estamos nos 65%. Sinal de que o trabalho que a gente tem feito ajudou muito. Nos níveis mais altos de cargos executivos, 40% são mulheres, mas é menos que a média da empresa. No conselho de administração, temos um pacto assinado de não ter menos de 25% de mulheres – hoje são 37,5% e provavelmente subindo. Não tem receita de bolo, mas a primeira coisa que a gente faz é perguntar por meio de muitas pesquisas. A solução está na equipe. Além disso, é muito importante a consciência das pessoas. Não sei se está claro para todos as dificuldades que as mulheres passam, que outras raças e crenças passam. Então, realizar workshops, palestras, debater o conteúdo é expor a realidade. Falar claramente do que acontece elimina a ignorância, traz consciência e permite construir soluções.” – Fabio

Papel do homem e do líder

“Ele tem de estar aberto para aprender e ouvir, para resolver e melhorar. O papel de um líder em geral é acolher toda essa mudança positiva, abrir espaço para a diversidade nas equipes, seja líder homem, seja líder mulher. Apoiar o crescimento de todos os colaboradores, estimular a autoconfiança, engajar e conscientizar as equipes da importância dessa diversidade. Antigamente, as pessoas queriam trabalhar com quem pensava igual a elas, mas a gente tem de trabalhar com quem pensa diferente para agregar na solução. O homem tem de fazer tudo isso e ser agente ativo da mudança, muito aberto para aprender, conhecer os desafios das mulheres, para tentar ter empatia como elas têm e se colocar no lugar delas para daí fazer o que gostaria que fosse feito por ele mesmo. E o líder tem de servir de exemplo na construção desse ambiente saudável e igualitário. Sinceramente, não tem coisa melhor: é mais produtivo, feliz e rico em todos os sentidos, e até traz melhores resultados como consequência. Então, por que não?” – Fabio

Este Talk do LIFE contou com o patrocínio Ouro do Santander e Prata da Aon. Assista à íntegra do evento no canal da ABRH-SP no YouTube.

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRH-SP – 12 de Outubro de 2020

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