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Um dos principais desafios para 2021 – ABRH-SP

Um dos principais desafios para 2021 – ABRH-SP

Autora: Maria Augusta Orofino (*)

Quando perguntados sobre o que mudou na liderança a partir da pandemia, a maioria dos líderes não hesita em falar sobre a gestão remota de uma nova forma de trabalho. Esse é um dos resultados da pesquisa sobre “Os principais desafios de liderança para 2021” com mais de 60 participantes, entre consultores, analistas, CEOs, business partners, coordenadores pesquisadores e estudantes das áreas de  Liderança e de Inovação. Ou seja, lidar com o trabalho remoto, seja home office ou anywhere, mesmo após meses da pandemia do novo coronavírus, continua sendo um ponto de atenção para as empresas.

Na mesma pesquisa, o tema gestão remota aparece em outras respostas, mostrando a importância de colocar o assunto em debate para 2021. Ao serem perguntados sobre os desafios futuros trazidos pela pandemia do novo coronavírus, a liderança de equipes remotas aparece com 29%, empatando com realinhamento dos objetivos e do propósito da empresa com os das equipes.

Além disso, quando questionados sobre o maior desafio para 2021, gerenciar novas formas de trabalho apareceu no topo da lista. Sobre os principais aprendizados que os líderes precisam correr atrás para o próximo ano, em disparado, com 61%, foram citadas as novas formas de trabalho.

Mas, o que esses números significam? Sabemos que a crise do coronavírus fez com que as empresas precisaram  procurar  maneiras diferentes de servir e gerar valor para seus colaboradores, clientes e sociedade. Tivemos que expandir nossa mentalidade e aprender, em pouco tempo, sobre novos conceitos de tempo e espaço. E isso engloba as novas formas de trabalho e sua gestão. Porém, o desafio ainda não terminou, em 2021 e até o pós-normal, líderes deverão construir e consolidar maneiras de apoiar suas equipes remotamente.

Os 3 Cs da liderança de equipes remotas

Se liderar uma equipe remota é um dos grandes desafios para 2021, é preciso que as empresas preparem seus líderes para uma mentalidade completamente diferente daquela que era adotada em outros modelos. Encontrar formas de apoiar emocionalmente os colaboradores, garantir a comunicação clara e ainda alinhar os objetivos das equipes com o propósito da organização, são alguns dos elementos que devem estar em vista. Para isso, os “3 Cs da liderança remota”, de Jason Wingard, podem servir como base para uma gestão remota eficiente:

  1. Clareza: quando se faz uma transição de equipe presencial para híbrida ou completamente remota, a clareza dos limites e diretrizes é o que definirá o sucesso da nova forma de trabalho. Isso significa apoiar os colaboradores na definição da própria disponibilidade deles, quando deverão estar trabalhando, quais as melhores forma de contatá-los e como enfrentarão desafios novos, que envolvem uma rotina dentro de suas casas ou em outros espaços.

Se não houver uma definição clara, é possível que os dias de trabalho se estendam além dos limites, levando os colaboradores a situações extremas e exaustão. Também interferem na produtividade e na própria satisfação e sentimento de pertencimento com a equipe. Por isso, mais do que pensar em horas gastas no escritório, cabe aos líderes construir e compartilhar métricas mensuráveis de sucesso, concentrando-se nos objetivos.

Os objetivos, por sua vez, precisam estar igualmente claros. Uma mudança para um trabalho remoto é uma oportunidade para um novo alinhamento, fazendo com que os líderes possam garantir que todos entendem aquilo que estão fazendo, suas colaborações e como contribuem para o resultado buscado.

  1. Comunicação: não há uma situação em que a comunicação não seja essencial para os líderes. Em situações de trabalho remoto, sua importância é ainda mais elevada. Considerando reuniões e documentações, mas principalmente o contato fundamental com e entre os membros da equipe. Por isso, uma das características de líderes bem-sucedidos é a escuta ativa, a comunicação com respeito e confiança e a preocupação genuína com a sobrecarga de trabalho e o progresso, sem pecar pelo microgerenciamento e excessos de comunicação.

Para evitar o microgerenciamento, Wingard faz uso da dica de John Eades, CEO da Learn Loft, que recomenda fazer semanalmente as seguintes perguntas:

  • O que você fez?
  • Em que está trabalhando?
  • Onde precisa de ajuda?

Os líderes não são os responsáveis pelas ideias que acontecem nas reuniões de equipe, como aponta Eades, pelo contrário, os líderes remotos precisam quebrar tal paradigma. Por isso, ao adotar essas três perguntas, além de permitir que se conheça hábitos e comportamentos, também se estabelece algo imprescindível na liderança remota, a confiança.

  1. Conexão: enfatizar a conexão é papel dos líderes remotos. Pessoas que estão trabalhando de forma remota, muitas vezes em suas residências, podem sentir que estão desconectadas ou solitárias, o que impacta no bem-estar, na produtividade, no envolvimento e na satisfação dos colaboradores. Quando os líderes não estão acostumados com a gestão remota, se concentrar somente nas tarefas pode ser tentador, mas a interação pessoal é de suma importância para essa forma de trabalho.

Para promover fortes conexões, os líderes podem fazer uso dos canais de comunicação, como as videoconferências, e dedicar alguns minutos antes das reuniões a perguntas abertas, como: quais são os planos para o final de semana? Em outras ferramentas como Slack ou Google Drive, as empresas podem criar canais ou tópicos nos quais os colaboradores possam interagir mais livremente, compartilhando fotos e gifs, por exemplo.

Cultivar interações informais é um ponto de partida para a construção e o fortalecimento das relações, impactando na confiança e, por consequência, na mentalidade de colaboração. O importante é que os colaboradores possam sentir que, mesmo virtualmente, têm acesso aos líderes e as interações informais que acontecem naturalmente quando há espaços físicos.

Certamente, há outras boas práticas que contribuirão para uma gestão remota eficaz. O principal é estar preparado para os desafios e oportunidades que 2021 trará para as lideranças. Para conhecer os outros desafios apontados pelos líderes e especialistas, confira a pesquisa completa. Já está se preparando para o próximo ano e seus desafios?

Maria Augusta Orofino (*)

Apaixonada por pessoas, é palestrante, consultora, pesquisadora e professora.  Mestre em Gestão do Conhecimento com cursos de extensão realizados na Duke University e UC Berkeley – USA e Universidade de Barcelona – Espanha. É autora do livro Liderança para Inovação e co-autora de Business Model You e Ferramentas Visuais para Estrategistas. Site www.mariaaugusta.com.br

São Paulo, 02 de Dezembro de 2020

ABRH-SP

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