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Contadores e Cientistas de Dados – Por Mauro Negruni

Contadores e Cientistas de Dados – Por Mauro Negruni

No mundo tecnológico em que vivemos não há profissão imune aos registros de dados. Todas as profissões têm nas Ciências da Computação apoio fundamental, quando não é a própria essência. Da medicina à arqueologia, do jornalismo às engenharias, todas as pessoas que atuam no mercado corporativo ou em pesquisas acadêmicas necessitam do que chamamos, comumente, de Tecnologia da Informação – TI.

Entidades estatais, privadas, condomínios, cooperativas etc. não operariam sem o uso da tecnologia da informação. Não me refiro apenas aos dispositivos, mas a eles também. Nossos smartphones deixaram de ser um aparelho para falar e ouvir, mas um potente computador de mão, e como tal, processa volumes imensos de dados conectados ou não à grande rede.

No cenário de interconectividade e colaboração profissional, os contabilistas são grandes consumidores de informações – a partir dos dados das entidades.

A ciência contábil, assim como outras ciências, depende de muitas interações dos dados e seria injusto definir os profissionais como usuários e usuárias, apenas. Usuário é quem apenas usufrui. Os contadores e contadoras, via de regra, definem aos profissionais de TI como deverá ser o tratamento adequado dos dados para que sejam úteis à tomada de decisão e redução de risco tributário.

O papel das pessoas que exercem esta categoria está na Wikipedia: Contabilista é o profissional da ciência contábil ou contabilidade responsável por lidar com toda a área financeira, econômica e patrimonial de uma pessoa jurídica ou pessoa física.

Os contadores, assim como os cientistas de dados, precisam lidar com questões sensíveis como segurança, reputação, confiabilidade e integridade. São muitas áreas envolvidas. Por semelhança, e não por acaso, o cientista de dados também atua com inúmeras fontes de informações e mantém uma interface bastante rica com as gestões corporativas.

As pessoas que atuam nesta área do conhecimento, segundo a USP, os bacharéis em ciência de dados dominam conhecimentos e habilidades em campos como: algoritmos; estruturas de dados e programação; inteligência artificial, aprendizado de máquina e mineração de dados estruturados e não estruturados; modelagem, organização, armazenamento e gerenciamento de dados; modelagens matemáticas e estatísticas; otimização; inferência estatística; visualização científica e de informação. Além disso, desenvolvem competências éticas, de comunicação e de pesquisa (Jornal da USP).

À minha provocação talvez seja possível afirmar que são muito distintas as duas profissões. Aceito. E pondero: distintas no foco, no resultado do esforço e dedicação. Todavia muito semelhante pelo tratamento dado ao grande volume de dados.

O Big Data Fiscal de uma empresa, no passado chamado de Data Warehouse fiscal – respeitadas a discrepâncias entre os dois conceitos – podem ser percebidos pelo viés do uso intensivo da tecnologia. A contabilidade, especialmente tributária, é um campo fértil para robotização. A Inteligência Artificial aplicada para análise de dados contábeis é um caminho sem volta.

Claro que o aprendizado de máquinas dependerá dos seres humanos – contadores e contadoras que ensinam as máquinas conceitos e procedimentos. Provavelmente no futuro o próprio trabalho será treinar máquinas para fazer boa parte das tarefas rotineiros – na área contábil e outras.

Teremos uma questão ética: quem terá acesso aos nossos dados e qual será o uso – permitido e de fato – quando dispusermos de robôs em rede realizando tarefas. Será que os robôs estarão programados para não denunciar o contribuinte em caso de falha (ou de fraude)?

Já ouvi de um cliente que os profissionais contábeis e os cientistas de dados são dois lados da mesma moeda. Eu diria que estão no mesmo lado da moeda, pois no outro estão os desafios. Ter empregabilidade se traduz na busca de mulheres e homens por ocupações que têm desafio enorme de conhecer muitas profissões.

O que tenho feito nas últimas quatro décadas, com algum sucesso, é traduzir aos profissionais de TI as demandas da contabilidade tributária. E a cada dia me sinto ameaçado nas oportunidades de consultoria em projetos. As inteligências inseridas nos sistemas são exponenciais. Eu sou um profissional de TI e estudei – e ainda estudo – a contabilidade tributária diariamente. Dou aulas de malhas tributárias digitais, auditoria tributária digital, escrituração digital e digo que o ser humano ainda é a peça fundamental nas organizações. Não sei até quando, mas ainda são.

O que também é fato: a distância entre a capacidade de aprender das máquinas e dos humanos está diminuta.

Escrito por Mauro Negruni

Fonte: Contábeis

Blog mauronegruni