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Como promover uma cultura inclusiva dentro e fora da organização – ABRH-SP

Como promover uma cultura inclusiva dentro e fora da organização – ABRH-SP

Referência na área de Diversidade e Inclusão, o Bradesco fala da temática com muita legitimidade tanto em ações internas, que movimentam a cultura da empresa nessa direção, quanto externas, a fim de provocar reflexões no público em geral. Para apresentar o case do banco, a ABRH-SP promoveu, na última terça, o webinar “#AliadosPeloRespeito – Promoção de uma cultura inclusiva dentro e fora da organização”, com as participações de Jackeline Busnello, gerente de Diversidade e Inclusão, e Marcelo Salgado, gerente de Marketing e Redes Sociais. Diretor de Desenvolvimento e Expansão das Regionais e presidente eleito da ABRH-SP, Luiz Drouet mediou a conversa.

Como lembrou Jackeline, o Bradesco foi fundado em 1943 como um banco de portas abertas para o pequeno produtor, o pequeno comerciante, pessoas com poucas posses e imigrantes em uma época em que o sistema financeiro não era muito inclusivo. Essa estratégia, muito diferente da estratégia de mercado do período, acompanhou o banco durante toda a sua trajetória.

Atualmente, o Bradesco conta com uma governança muito robusta para tratar o tema. Começa com um Comitê de Sustentabilidade e Diversidade, em que participam o presidente, o presidente do Conselho e outros executivos graduados na organização. Abaixo, há um grupo de Diversidade que subsidia as decisões desse comitê.  Multidisciplinar, o grupo conta com pessoas de diversas áreas (RH, redes sociais, marketing, negócios, sustentabilidade, etc.) e hierarquias. Isso faz com que o tema seja conduzido e discutido transversalmente dentro da organização, não como responsabilidade de uma única área.

A área de Gestão da Diversidade apoia esse grupo, organizando as pautas e as reuniões mensais. E a última camada é composta pelos Grupos de Afinidade, que fazem parte da governança formal e são compostos por funcionários voluntários para ajudar a temática a evoluir com mais velocidade dentro da organização. Os grupos falam sobre quatro pilares: equidade de gênero, equidade racial, inclusão de pessoas com deficiência e LGBTQIA+. Para participar, não precisa ter o marcador identitário, mas os coordenadores, sim, porque eles têm assento no Grupo de Diversidade. Isso garante que haja o lugar de fala, ou seja, a participação das pessoas que vivem os desafios do dia a dia.

Como em toda transformação ou evolução, a educação tem um papel fundamental, a Unibrad (Universidade Corporativa Bradesco) tem uma escola dedicada à sustentabilidade, diversidade e cidadania. Vários programas visam não só trabalhar grupos específicos, mas também a cultura a fim de reduzir os vieses inconscientes e aumentar o entendimento sobre os temas. Além disso, cada grupo de afinidade ou pilar tem uma trilha específica para as pessoas se aprofundarem, com muitas rodas de conversa, palestras e outros programas.

Jackeline destacou também a importância do apoio da liderança para a evolução da temática dentro da organização. “No Bradesco, a gente tem a felicidade de ter líderes muito engajados, que, de fato, participam conosco das atividades e têm a vertente de diversidade e inclusão. Qualquer organização que deseje trabalhar uma transformação precisa do apoio da sua liderança.”

Cases 

Ela apresentou cases de programas nos quatro pilares da diversidade. Na temática da equidade de gênero, por exemplo, destacou a parceria com a Laboratoria, organização que forma mulheres para trabalhar na área de tecnologia. O Bradesco patrocina a formação de todas as turmas e, ao final dos cursos, contrata de 10% a 20% das mulheres para as áreas de TI.

O banco também tem sido muito ativo na questão da violência contra a mulher. Além de um canal de atendimento com vários recursos para apoiar as colaboradoras e seus familiares, há toda uma trilha de educação para ajudar os gestores a perceberem sinais de violência doméstica e para que as próprias mulheres reconheçam o que está acontecendo com elas.

Pioneiro na inclusão de programas para jovens negros e negras, o Bradesco mantém uma parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares pela qual são contratados estagiários dos cursos que passam por uma trilha de formação de dois anos e ao final, dependendo da performance e do interesse, são efetivados. “Temos índices de contratação muito bons, que chegam a 80% em algumas turmas”, ressaltou Jackeline.

Na área de Pessoa com Deficiência, o Bradesco contratou nos últimos três anos cerca de 2 mil PcDs em todo o Brasil, em diversas posições. Além disso, uma vez por ano, investe em um programa específico voltado para pessoas com deficiência que podem não ter tido acesso a um curso superior, mas possuem o perfil comportamental para trabalhar na organização. “Contratamos cerca de 40 pessoas por ano, que passam por uma formação de seis meses no curso de gestão bancária junto com a Fundação Bradesco e são alocadas nas áreas de atuação.”

Já o tema da inclusão de LGBTQIA+ é tratado com a participação do banco em feiras voltadas para aproximar o jovem LGBTQIA+ da empresa, ações de inclusão e formação, e presença nas redes sociais envolvendo funcionários para falar, por exemplo, no período da Parada do Orgulho LGBT.

Da porta para fora

Marcelo falou das ações de diversidade e inclusão promovidas para o público externo: “Para a gente ter um mundo possível, não só no presente como no futuro, é imprescindível que organizações do tamanho do Bradesco cumpram esse papel de praticar políticas afirmativas e pautar as conversas na sociedade”.

Um exemplo, segundo ele, é a plataforma Aliados pelo Respeito, uma série de iniciativas promovidas tanto para discussão interna quanto para pautar as conversações na sociedade. A plataforma nasceu com o conceito do quanto o Bradesco consegue influenciar especialmente dentro dos quatro pilares já citados para promover reflexão sobre respeito, igualdade e conexão com as pessoas.

Desde 2017, as conversas vêm sendo pautadas com causas. “Quando fazemos isso, recebemos críticas, não são só premiações e elogios. O processo de transformação também passa por ser enfrentado por parte da população que não está ainda preparada para essa transformação e não está consciente da necessidade de salvar vidas. Por isso, ter essa consciência do nosso papel, e de que caminhamos para um futuro coletivo e diverso, é muito importante para se manter sempre consistente. Embora seja muito sedutor recuar quando se recebem as críticas, é muito perigoso dar passos para trás. É parte do trabalho do Aliados pelo Respeito manter essa consciência presente e ativa o tempo todo”, refletiu Marcelo.

O Aliados pelo Respeito também representa grupos que foram apagados e minorizados ao longo do tempo e com isso ganha o endosso e a admiração dessa população. É um processo contínuo e circular para que esses grupos sejam protagonistas. “Nosso papel é, com a comunicação para fora, potencializar vozes negras, femininas, LGBTQIA+ e de pessoas com deficiência e suas intersecções para que de fato a gente consiga fazer com que sejam ouvidas, respeitadas e amplificadas porque têm muito a dizer e contribuir”, completou.

Grandes projetos que foram ao ar ao longo dos anos. Um dos mais conhecidos é a parceria com a Unesco para a campanha “Hey, update my voice”, para que as Inteligências Artificiais se posicionem mais firmemente contra o assédio. E o próprio banco tem um case interno nessa temática que aconteceu com a BIA, a Inteligência Artificial do Bradesco. Embora não tenha uma persona feminina, a BIA é reconhecida como tal justamente por causa do nome. Em razão disso, cerca de 90 mil mensagens de violência são recebidas a cada ano. “A gente percebeu que a BIA era gentil mesmo em casos de violência e decidimos reescrever as respostas. O projeto levou praticamente um ano e meio de transformação interna de treinamento e script da central de atendimento para que as respostas virassem uma campanha contra o assédio.”

Marcelo citou outros programas para o público externo. O Bradesco Women, plataforma de transformação através do empreendedorismo feminino. O Bravoz – Encontro Bradesco de Vozes Brasileiras, que nasceu em 2019 da necessidade de falar de consciência negra o tempo todo, não só no dia 20 de novembro, de forma legítima e consistente, e que este ano culminou em um curta-metragem produzido quase totalmente por pessoas pretas, protagonizado pelas atrizes Zezé Motta e Jeniffer Nascimento. Além do podcast Aliados pelo Respeito e da Série Singular, que conta a história de pessoas comuns que são diversas.

“Só teremos uma sociedade de fato sustentável e possível daqui para a frente se conseguirmos implantar pensamentos de respeito, e conviver não só respeitando, mas incluindo e protagonizando a diversidade. Essa é a condição para que a gente siga existindo, não só os negócios, mas a própria sociedade”, concluiu.

Fonte: Assessoria de Comunicação ABRH-SP (06 de Dezembro de 2021)

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